hoje acordei assim

acordando a moda


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Foda-se.

Vocês já perceberam o quanto é libertador soltar um “foda-se” em algumas situações? A princípio, parece ser algo agressivo, egoísta. Mas, ao meu ver (e sentir) é o ápice do desapego, é um passo para a maravilhosidade da paz interior.

Mas o foda-se não é um botão que liga e desliga. E nem deveria ser. Pq ele tem que ser sentido com o mais puro desapego que há em nós, tem que ser sincero, livre de qualquer sentimento negativo. Sendo assim o foda-se nos fazer um bem danado.

Dizer foda-se é como se jogássemos qualquer tipo de medo, insegurança ou receio no lixo e seguíssemos em frente, livres e confiantes. Não sei se vocês já perceberam, mas o foda-se vem, inconscientemente, seguido do pensamento de “vai dar tudo certo”. Tipo “foda-se, desapeguei de algo, mas vai dar tudo certo.” É uma certa ignorância? Talvez, pelo fato de ignorarmos a possibilidade de dar algo errado.

O foda-se é melhor remédio pra ansiedade, por exemplo – um pouco de respiração profunda também ajuda. Aquele prazo limite, o tempo correndo, imprevistos acontecendo, palpites de todos os lados, questionamentos, dúvidas. Desespero? Apreensão? Foda-se, vai dar tudo certo. Normalmente não sabemos como vai dar certo, mas vai.

Claro que as vezes soltamos um foda-se indevido, que pode deixar alguém chateado. Mas nada que dar um foda-se no orgulho e ir pedir desculpa pra pessoa. Alguma situações não são recomendáveis soltar um foda-se, tipo no meio de uma apresentação de trabalho na pós-graduação. Completamente desnecessário, até pq isso nos custou uma nota bem mediana no final. Mas talvez se aquele foda-se não tivesse saído, teria ficado entalado na garganta de quem o disse e a apresentação seria pior ainda. Vai saber?!

Obviamente a vida não é um foda-se eterno. Mas, não sendo a morte, tudo tem jeito. Por mais que as vezes não pareça, tem jeito.

O foda-se é abrir a porta pra acreditar em nós mesmos, como se nada pudesse interferir algo que acreditamos, que planejamos, enfim. Não é fácil, mas é um exercício diário acreditar em nós mesmos. O foda-se é uma ferramenta, quase como aquela vontade de soltar um palavrão quando se bate o dedinho no pé da cama. Não vai diminuir a dor, mas vai ajudar a superar isso aí.

E se você não acha que o foda-se vale a pena, que pena. Foda-se, desfoda-se, acredite, acredite-se.

 

fodase

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Pro dia que eu voltar pra minha casa

Depois de alguns anos, nosso relacionamento mudou. No começo, tudo era novidade, tudo era empolgação, paixão, novas descobertas, descobrir aos poucos como você funcionava… Você era o que eu queria, o que eu precisava, era tudo harmônico, feliz. Você me ensinou muita coisa, eu mudei por você (e não me arrependo), me adaptei a novas rotinas, entendi suas dificuldades e respeitei, conheci pessoas novas, lugares incríveis. Uma das coisas mais importantes que fiz na vida, foi graças a você! E sou imensamente e eternamente grata!

E, como qualquer relacionamento, o começo é sempre empolgante, as vezes de uma forma que anestesia a dor de ver algumas coisas que não são tão boas. É tudo tão maravilhoso, que não vai ser aquele detalhe aparentemente bobo que vai estragar! Mas o tempo passa. E a anestesia também. As coisas não tão boas se tornam nitidamente visíveis, perceptíveis e, algumas delas, realmente começam a doer. Sou uma pessoa flexível, entendo que nem tudo são flores e, como nosso amor é grande, busquei várias formas de entender e conviver com essas dores da realidade. Pq você mudou? O que aconteceu?

Mas há pouco tempo, tive um breve relacionamento enquanto achava que ainda amava você… Era pra ser algo rápido e passageiro, coisa de férias, mas foi muito mais intenso! A praia é capaz de dar respostas mesmo sem você perguntar nada. E isso aconteceu pra me mostrar que pra essa dor parar quem teria que agir seria eu mesma. Foi pouco tempo, mas pude respirar, sentir uma brisa, esquecer meu relógio em casa, sentir um tipo de liberdade que não senti com você. Durante esse tempo, os números do tempo não guiaram minha vida, me senti leve. Desde então, quando voltei pra você, nosso relacionamento nunca mais foi o mesmo. Não foi você quem mudou: fui eu. Não estou mais na mesma frequência que você – e nem quero estar.

Não é que nosso relacionamento não deu certo; ele deu certo enquanto durou. Muito! Fomos felizes juntos, não me via longe de você. Mas não vejo mais meu futuro com você. Então, como continuar sem termos um futuro juntos? Eu quero viver minha mudança, mas não consigo com você. Você não me faz mais feliz, o que você me oferece não é o que quero pra mim.

Acho que cuidei bem de você e você foi muito generosa comigo. Você vai cuidar bem de outras pessoas e tenho certeza que outras pessoas vão amar você assim como eu amei. Esse é o ciclo de qualquer coisa que pulsa!

A nossa amizade continua sincera e muito carinhosa! Fico triste pelas amizades que temos em comum, mas tenho certeza que você vai ser boa para elas. Vou sentir saudades de quem fica, mas sei que os que me amam vão me entender. Preciso dizer que estou aliviada e feliz com meus novos passos! Estou em paz de um jeito que há muito tempo não sentia. Mesmo sem a brisa do mar mais perto de mim, que tanto me fez questionar se deveria continuar com você, sinto um vento fresco maravilhoso batendo na cortina da janela do quarto – aquele que sempre foi o meu quarto.

Meu coração volta a ficar quente todos os dias que vejo o por do sol mais lindo do horizonte dessa mesma janela. Obrigada a todos que me fizeram sentir em casa, que me adotaram em suas famílias, em suas vidas, enquanto estivemos juntas. Mas a partir de agora, minha família volta a ser a minha família, minha casa sempre foi e sempre será o meu lar e meu coração está feliz em ver meu corpo e minha mente desacelerarem.

Eu já amei muito você, São Paula. Mas agora, tem um Belo Horizonte inteiro pra eu ser feliz.

09


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Alongamento da coerência

Uma das coisas que mais me incomoda na vida é a falta de coerência, principalmente dos discursos e atitudes das pessoas. Por isso falo tanto da importância de procurar se conhecer, se entender, se colocar no lugar do próximo em várias situações e todas as coisas do tipo.

Sempre que posto algo, eu leio, releio, penso, como uma forma de refletir pra mim mesma, se eu também estou sendo coerente nas minhas ideias e atitudes. As coisas que falo não têm o intuito de levantar a bandeira do “estou certa, concordem com minhas verdades”. Estar certo o tempo inteiro só aumenta a margem de erro.

Quando digo coerência, digo no sentido de defender algo que não se pratica, por exemplo: dizer que gosta da natureza, mas não cuida dela; exigir respeito, mas não respeitar ninguém; criticar pessoas egoístas, mas não ajudar quem precisa; defender toda a vibe de produtos orgânicos, mas só comer Mac Donalds; criticar a desonestidade, mas procurar formas de burlar regras ou leis. Enfim.

É fácil julgar o outro. É fácil se apropriar das ideias e do corpo alheio para corrigí-lo de acordo com nossas certezas. E repensar sobre nós mesmos?

“O problema do Brasil são os brasileiros.” Ou seja, o problema do Brasil é VOCÊ brasileiro, que faz infinitas coisas que prejudica o país. Mas, calma… Eu também sou brasileira. O que será que eu faço que pode prejudicar o meu país?! Se faço algo que não deveria, como fazer pra evitar isso? Ou, se eu faço tudo tão correto, pq não COMPARTILHO ISSO com quem pode estar prejudicando.. antes de JULGAR quem está prejudicando.

Não é fácil responder várias perguntas. Ou, se é fácil responder, talvez não é fácil de colocar as atitudes em prática.

Ser coerente exige um exercício diário. É quase como um alongamento muscular: todo dia um pouco até que alguns movimentos acontecem, alguns com esforço, outros mais naturalmente.

exercicios-para-dores-nas-costas-3Eu não sou uma pessoa tranquila, não sou calma, não sou coordenada, não sou tolerante, sou uma pessoa áspera, tenho muitas dúvidas sobre muitas coisas. Mas faço meu exercício diário e dá o maior trabalho. Gosto de ser respeitada, por isso respeito os outros;  eu erro e por isso procuro sempre entender o erro alheio – e, como minha tolerância é curta, esse é um exercício suado; eu mudo de ideia sobre várias coisas, então é importante ser flexível com as quebras de convicções dos outros; eu evito discutir a toa, pois uma discussão saudável precisa ter argumentos; não me sinto bem fazendo com os outros o que não gostariam que fizessem comigo. Ter paciência é o mais difícil, mas seguimos respirando fundo. E assim a vida segue.

Ser coerente é difícil, acho que ninguém é coerente em tudo. Mas tentar ser é algo que deixa a consciência em paz. Afinal, pior do que ser incoerente, é ser hipócrita.


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freegenderalizando

 

Há uns dias, escrevi um texto meio “técnico”, não tão fluido quanto os que costumo publicar aqui. Mas gostei dele e acho que, em tempos de fluidez do ser humano, vale a pena compartilhar.

são paula

A partir do momento que presentear casais grávidos gera o questionamento: presentear menina com rosa, menino com azul ou com nenhum dos dois? Percebemos que a questão do gênero está saindo de um discurso teórico de “alguém” e está de tornando um discurso de pertencimento “nosso”, da nossa rotina.

Estamos acostumados (ou diria até, padronizados) a nos organizar e encaixar em grupos delimitados e, para se enquadrar na maioria desses grupos, o primeiro requisito a ser definido é: separar os seres humanos entre homens e mulheres, feminino e masculino. Afinal é preciso estabelecer as regras para cada um desses grupos: filmes românticos indicados para as mulheres, esportes violentos indicados para os homens, entrada em festas com valores diferentes para homens e mulheres, banheiro feminino com fraldário e banheiro masculino sem, conversas de homens, fofocas de mulheres, bebida para mulheres, bebida de homem, estampas para homens e estampas para mulheres.

Deixar de segmentar o mundo em dois padrões – masculino e feminino – e ver a infinidade de possibilidades que as pessoas podem ter ainda pode gerar, sim, confusão. Quem somos nós? Eu sou homem ou mulher? Eu sou quem eu quero ser? O que a sociedade quer que eu seja? Posso ser apenas uma pessoa?

Segundo Sabina Deweik (pesquisadora e Cool Hunter), a moda é o “canal” onde mudanças de comportamento da sociedade têm suas primeiras manifestações. E de tempos pra cá, percebemos grandes marcas de moda manifestando suas ações além do ser humano binário.

 Saint Laurent lança a coleção masculina de Primavera/Verão 2013 com a modelo Saskia de Brauw protagonizando as fotos da campanha; Jaden Smith faz parte da campanha de Primavera/Verão 2016 feminina da Louis Vuitton; os desfiles de Giorgio Armani, Gucci e Prada para o Inverno 2016 apresentaram homens e mulheres vestidos com looks quase idênticos; a loja de departamentos Selfridge, lançou em Marco de 2015 uma coleção intitulada Agender, “uma experiência de compras que promete neutralizar os gêneros”; a Zara, neste ano, lançou uma tímida coleção sem gênero.

“Antes erudito e distante da realidade, tal conceito passa a ser massificado, atingindo mais pessoas, ainda que menos profundamente. Já a moda, começa a atuar nas pessoas, trans-formando-as”.

Pedro Palhares

exemplos

Jaden Smith para Louis Vuitton e campanha Agender da Selfridges

 

Existem algumas marcas já direcionadas pra o público trans – All is Fair in Love and Wear (http://www.allisfairinloveandwear.com), a WildFang, a TBoy, por exemplo.

Mas, em solo brasileiro, quem chama atenção é a C&A com seu novo posicionamento. A marca fast-fashion, massificada, desenvolveu a campanha Tudo Lindo e Misturado, em que aborda o discurso freegender, ainda que de forma sutil.

Ao lançar o vídeo da campanha em rede nacional, canal aberto, em horário nobre, nada mais é do que o freegender conversando com o freegender, mas também atingindo a todos, independente do gênero – ou seja, até mesmo pessoas que ainda não conhecem o assunto.

https://www.youtube.com/watch?v=44QjXsZtozg

Ao mesmo tempo em que vemos a ação da marca, percebemos que o tema freegender ainda precisa praticar um diálogo entre idéia/conceito e ações/atitudes. Apesar da campanha (a idéia), vemos que o site e lojas da marca ainda trabalham com a classificação de peças com feminino/masculino (prática). Mas esse é um retrato da sociedade neste momento. Talvez a sociedade, em modos gerais, ainda não esteja preparada para se “perder” em uma loja onde todas as roupas são uma possibilidade de uso, sem discriminação.

A igualdade de gêneros é o conforto de todos. Trans, multi, heteros, homos, cis, frees, pessoas convivendo confortavelmente e com respeito entre si. Afinal, não há conforto para os fluidos se ainda existem os rígidos, e vice-versa.

De qualquer forma, é possível considerar alguns detalhes que, ainda que aparentemente ingênuos, são relevantes para observarmos pequenas quebras de padrões no que diz respeito a mistura de ícones femininos e masculinos.

A calça jeans boyfriend, os oxfords, entre outras peças, invadiram e se consolidaram nos guarda-roupas femininos. As unhas feitas, roupas estampadas e cuidados com a pele se tornaram comuns na rotina de alguns homens. Mas, nessa unificação misturada percebemos o masculino invadindo o feminino. A feminilização do masculino ainda é menos rotineira.

exemplos 02

Dior Rouge Fall 2013 e campanha Gucci Men’s Spring/Summer 2016

“Sexo e gênero são coisas distintas. Ser masculino não depende da constituição biológica de cada um, mas, sim, da construção de uma identidade. Ou seja, é algo intangível. São as convenções sociais que fazem com que nos enquadremos em algum gênero. E é a moda, o vestuário, uma das principais formas que sempre tivemos de nos expressar socialmente. Porque nós, seres humanos, somos muito limitados para lidar com o intangível.

Cássios Poerschke

O movimento freegender não é apenas uma tendência, é um movimento fluido que está tomando forma e se consolidando na sociedade. É um movimento que segue caminhando em frente, se movimentando e movimentando cada vez mais pessoas. O freegender começa a sair da percepção de ser algo apenas no corpo alheio e começa a entrar nos nossos corpos. A sociedade caminha para um futuro onde todos nós seremos TRANS, transformados.

 

 


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Redação sobre minhas férias

Depois de anos, voltei a cidade em que cresci, o que me fez entrar no clima da época da escola, falar sobre minhas férias e dividir isso com o mundo.

As minhas férias em São Luis me fizeram pensar e refletir muito mais coisas do que esperava. Confesso que vim sem grandes expectativas e fui surpreendida por vários sentimentos misturados que não imaginei que fossem acontecer.

Posso dizer que a cidade continua igual, mas diferente. Igual, mas com mais prédios, mais lugares interessantes, restaurantes, tem até um shopping novo que quando fui me senti meio em São Paulo. Mas percebi uma São Luis diferente pelos hábitos das pessoas que aqui moram. A Avenida Litorânea, que era “só” a avenida da praia, passou a ser uma referência de lugar de vida saudável! Pessoas correndo, fazendo caminhada, velejando de kite, de standup. Quando eu morava aqui, o máximo que tinha era um futebolzinho safado do pessoal da escola e da internet nas férias. E agora fiquei sabendo que tem até uma cena do pessoal do mahamudra aqui (sem julgamentos, galera). Nunca tinha visto antes tantos corpos femininos e masculinos tão grandes e esculpidos! Galera tá bombanny! Adorei ver também várias meninas com aquelas tranças rasta coloridas maravilhosas! Soltas, com penteados, em coque gigantes. Até onde lembro, os cabelos cacheados e crespos eram todos alisados.   

No dia que fui a Praia Grande, em uma voltinha por lá, ouvi rap, samba, metal e reggae, um quase do lado do outro. Aparentemente todos em paz, pelo menos enquanto tive por lá. Tinha policiamento e uma das policiais de moto tinha um rasta maaarah! Queria ter tirado foto, mas não deu tempo. Sinto que a Praia Grande, cada vez mais, deixa de ser um ambiente marginalizado e passa a ser um lugar de mistura de culturas.

Bom, o trânsito continua bizarro como sempre foi. Meio sem lei, sabe? Inclusive, o Pimp my Carroça teria muito trabaho aqui, pois temos várias circulando pela cidade. Mas o culto aos carros continua o mesmo. Tá certo que a maresia estraga tudo muito mais rápido, mas o ponto não é bem esse. A casa da minha avó, onde passei maior parte da minha infância, tá alugada e CAINDO aos pedaços! Fiquei assustada com tamanho abandono e sujeira que ela tá! Mas o carro do pessoal lá na garagem tá limpinho, zero, inteirão, novinho. Captaram a ideia? Em uma cidade tão linda por natureza, os valores materiais ainda são prioridade  pra uma grande maioria de pessoas.

Outra coisa me incomodou um pouco: a diferença gritante da realidade socioeconômica principalmente na região da Ponta D’areia, por ali. São prédios imensos ao lado de casebres minúsculos e precários. Mas talvez isso já exista há tempos e eu não conseguia perceber, confesso. 

Mas uma coisa é fato: independente do tamanho da cidade, seus amigos sempre vão ter dificuldades em encontrar você, ainda mais se envolver mais de 3 pessoas. Mas vida de adulto é isso mesmo, ate pq a maioria deles já tem filhos, enfim, realmente não é tão simples. Mas rever amig@s dazantigas, da escola, e ter a mesma afinidade de anos é algo que realmente não tem preço. Só vivendo pra saber o que significa! E significa algo muito bom :)  

Num geral, apesar de continuar não sendo uma cidade tão bem cuidada, senti que as pessoas estão interagindo mais com ela e acho isso MUITO bacana! Afinal, é apropriando-se da cidade que aprendemos a cuidar e valorizar os espaços que ela nos oferece. E isso sim, é de uma riqueza indiscutível! Minha gente, bora cuidar bem do lugar em que moramos! De que adianta morar numa casa maravilhosa e aconchegante e, ao sair dela, se ver rodeada de maus tratos, sujeira.. Por isso digo, a cidade é a mesma, mas os hábitos mudaram pra melhor. E ver que algo melhorou e tende a melhorar cada vez mais, me faz os olhos brilharem e acreditar que há esperança no mundo. 

Talvez esse bombardeio de sentimentos bons aqui, seja a vontade de ter uma vida mais slow se manifestando. Uma vida na qual seja possível aproveitar a vida! A dúvida de até que ponto vale a pena viver numa cidade em que a troca de energias não é equilibrada, mais se gasta do que se ganha.

Ultimamente tenho vivido tantos momentos de surpresa, me surpreendo com alguns acontecimentos, algumas situações e, dessa vez, me surpreendi comigo mesma. Depois de tanto tempo nesse relacionamento a distância entre São Luis e Super Luísa, posso dizer que  esse reencontro foi apaixonante e to em um relacionamento sério com a Ilha do Amor. E pra mim é bem estranho assumir isso, mas é também libertador.

#eeuquenemvinha  


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Dicas técnicas para o Tinder

Algum tempo depois que meu namoro terminou, algumas amigas foram super incisivas em indicar um ótimo remédio para a situação: o Tinder. Rolou quase um workshop sobre os benefícios desse remédio. Daí lá fui eu ver de colé desse negócio, até pq todo remédio tem seus efeitos colaterais.

Bom, digamos que, pra mim, foi como homeopatia pra quem não é homeopata. Você acredita no benefício, vê algum resultado, mas no fundo rola uma dúvida se aquilo realmente faz sentido mesmo.

Em resumo, o Tinder é um catálogo de pessoas “disponíveis” que tão por aí nesse mundão de meu Deus. É um “lugar” que você tá lá pra ter sua beleza e caráter julgados por algumas poucas fotos e, quem sabe, uma frase na legenda, uma citação, um poema, uma música, receita ou qualquer outra coisa.

Mas o meu desabafo não envolve nenhum aspecto teorico, polemico ou estético sobre o aplicativo. Muito menos sobre relacionamentos ou nudes. Tem a ver com algo mais técnico, digamos. Explico: parte do meu trabalho atualmente é “deixar produtos e pessoas parecerem perfeitos nas fotos”, seja por meio de produzir uma foto boa ou também nos retoques finais, no Photoshop mesmo. Sou forçada a ter aquele olhar biônico, pra imaginar uma boa imagem, uma boa composição, enfim, e sei que isso requer esforço, prática, atenção. Por isso venho cá dar algumas dicas de produção fotográfica pra inspirar a galera nas produções. Coisa básica, que nem precisa de tratamento ou estudos de iluminação, figurino, enfim.

Fiz uma listinha de coisas pra ajudar a geral. Segue:

1 – É muito importante que a foto esteja no sentido correto, isso facilita a visualização.

sentido da foto

2 – Sei que as vezes a gente sai super bem em uma foto de galera, daquelas que todos estão se abraçando. Mas atenção ao fazer o recorte da foto. Essa mão “perdida” no ombro é meio sombria (MUUAAHAHAHAH).

mao-no-ombro

3 – Acredito que para um ser humano ser feliz, ele precise de algumas coisas e dentre elas são os amigos. Mas se o perfil é pessoal, único, individual e intransferível, identifique-se na foto da turma. Quem és tu??

foto-de-galera

4 – O cenário é um dos tópicos mais importantes desse post. O cenário interfere totalmente numa foto, podendo dar todo o sentido pra ela ou tirando totalmente o sentido dela.

cenario-ruim

cenario-bom

5 – O flash no espelho reflete e dá aquela explosão de luz, além de não iluminar você como deveria. Flash, no geral, não costuma funcionar. Se você conseguir tirar uma foto sem flash, melhor.

flash

6 – Objetos de cena. Não há exatamente um certo ou errado aqui. Mas, particularmente falando, melhor continuar com as fotos de cerveja na mão do que um palito de dente. Já o amigo da esquerda, trabalha com o que tem, é isso ai.

objeto-de-cena

7 – Efeitos especiais. Aqui também não tem certo ou errado, mas minha dica é: só use dessa ferramenta se for realmente necessário ou se você tiver domínio dela. Se não for o caso, é melhor ficar no básico mesmo.

efeitos-especiaispsd

8 – A dica mais importante de TODAS! Tinder, Happen ou qualquer outra coisa… O importante é ser feliz :)

divertido

PS:

1 – Meu blog não é mega visualizado, mas caso você tenha visto seu perfil por aqui e não curtiu, me avisa que eu tiro, ok?

2 – Obrigada azamiga que colaboraram com algumas imagens <3


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Enem e boxe chinês

Comecei a praticar uma luta em 2008, totalmente por acaso. A pessoa que fazia progressiva na minha amiga também era professora de kickboxing e a chamou pra ir conhecer, fazer uma aula experimental. E minha amiga, que não queria entrar nessa cilada sozinha, me chamou pra ir.

Resultado: fomos e adoramos! Eu fiz uns 10 meses, numa academia pequena, que um dos donos ia treinar coturno. Não tinha plateia nos assistindo treinar, até porque não tinha espaço pra ficar – o tatame já começava direto na porta.

Mudei pra São Paulo, fiquei parada um tempo e comecei a sentir falta de uma atividade física. Muito por acaso novamente, descobri uma turma de sanda (boxe chinês) só de meninas perto de casa. A shidjei, professora, era (É!) um ser de pura energia. Uma energia forte e encantadora! Lá tinha plateia e confesso que ficava incomodada com isso. Pq ninguém ali apreciava nossos movimentos, mas sim nossas bundas. Me incomodava mas não ligava, não encostando em mim, foda-se olhar.

Algum tempo passou e o treino mudou de lugar. Agora era um dojô, empoeirado, sujo, sem chuveiro, mas puro. Ali as pessoas tinham foco, respeito, paciência. Conheci muitas pessoas bacanas, conheci o shidjou, que é outro ser iluminado. Deixei de ser uma aluna X e virei a Pimenta. Aprendi, machuquei, apanhei. Aprendi a importância de não falar “eu não consigo” e, sim, falar “eu não sei fazer, mas vou tentar”. De uma turma que começou sendo só de meninas, sobrou só eu. Agora a turma era mista e eu a novata, mas não me importava. Somos todos iguais, aqui não temos diferença entre homens e mulheres. Como diz o Gilson, somos todos seres supremos e de luz! Aqui o respeito é entre os mais novos e os mais velhos, pq esses têm mais tempo de conhecimento e sabedoria do mundo pra passar pros mais jovens. Hoje ainda sou júnior, erro muito, esqueço as coisas, mas tenho foco. Pratico não por um motivo “fitness”, mas por um bem estar físico e mental. É a minha terapia. Eu sou uma pessoa calma graças a isso tudo. sanda

Mas o motivo desse pensamento hoje foi o tema da redação do Enem que rolou nesse fim de semana. Me fez pensar isso tudo em outro aspecto: a minha segurança.

Se você praticar uma arte marcial com mestres, você jamais vai se enfiar numa brigar de rua. Mas você tem total liberdade de se defender em determinada situação. Desde que comecei a conhecer um pouco mais essa arte, minha confiança naturalmente aumentou. E quando isso aconteceu eu, mulher, percebi o quanto nós, mulheres, vestimos um papel de vulnerabilidade.

Não me refiro a reagir a um assalto, nem entrar numa briga, por exemplo. Jamais! Mas, meu querido, se você quiser forçar a barra em me agarrar seja onde for, só digo que você tá fudido. Não vou plantar a semente da violência, eu vou simplesmente me defender de você na mesma moeda em que você está me agredindo. E garanto que posso fazer isso direitinho. Inclusive, já fiz. E falo com propriedade que homem é frouxo quando se vê diante de uma reação que ele não espera acontecer.

Há uns dias, numa festa, fui agarrada por um ser que achou que era minha obrigação lhe dar um beijo a força. Depois de responder alguns nãos, só me restou colocar um braço no pescoço dessa pessoa pra dar distância e falar uma voz seca “se você não me largar eu vou te bater e eu sei que meu braço já tá doendo sua garganta”. Daí fui “liberta” daqueles braços nojentos e recebi uma resposta assim: “caralho de mulher fresca”. Pode me chamar do que for. Não me importo com palpite errado de gente escrota.

sanda 2

Shidjou Braulio e Shidjei Samira

Machista, feminista. O corpo é meu, a vontade é minha. Eu respeito todos. Se você não me respeita, você abre as portas pra que eu não respeite você também, seja quem você for. Aguente as consequências disso.

E assim sigo sempre na guarda, me defendendo. Sabendo que chute no saco dói, que soco na garganta pode sufocar, que enfiar os dedos nos olhos dos outros pode dar espaço pra você correr. Pois a redação do Enem é um passo importante pra um longo caminho de mudanças e enquanto isso não acontece, muitas vezes a defesa vai ser necessária. Posso ser fraca, mas não sou frágil.

Obrigada, sanda. Obrigada shidjei, shidjou. Obrigada a toda a família, por me ajudar a ser cada dia mais forte, de corpo e sabedoria!

*Favor não confundir romantismo com submissão e nem gentileza com machismo.